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Crítica: “Mad Max: Estrada da Fúria” (Mad Max: Fury Road), 2015

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—Nota: 5/5 — (Sem Spoilers) —

O diretor George Miller conseguiu reunir o que tinha de melhor em seus três filmes da franquia Mad Max das décadas de 70/80 e colocar em Fury Road.   No quarto filme da franquia (que na verdade está mais para uma releitura do que uma continuação), lançado 30 anos depois de seu antecessor, Miller dá uma verdadeira aula de como dirigir um filme de ação quase incessante sem o uso abusivo de computação gráfica tão comum no cinema atual.

Na abertura do filme, temos Max (Tom Hardy) sendo capturado e logo depois transformado literalmente em uma bolsa de sangue. Quem captura Max são os Garotos de Guerra, uma verdadeira família de dezenas de irmãos, todos servos Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), um homem de idade desconhecida que parece estar vivo graças a aparelhos acoplados ao seu corpo. Immortan Joe não é apenas o pai de todos esse guerreiros como também é visto como um deus por eles. Ele é um tirano que exerce seu poder sobre o povo através do controle sobre a água da região. Mas uma de suas comandantes, Imperatriz Furiosa (Charlize Theron), decide resgatar as jovens mulheres que eram usadas para terem seus futuros garotos de guerra. Furiosa leva as garotas escondidas no War Rig, um caminhão de incrível potência e que é a única chance que elas tem de fugirem da tirania e da loucura de Immortan Joe.

Sim, o nome do filme é Mad Max, mas o protagonismo é bem dividido entre Hardy e Theron, se não até mesmo roubado por ela (merecidamente). Quando o tirano percebe o que está acontecendo, convoca todos seus soldados para começarem uma incessante perseguição que vai durar todo o resto do filme, com exceção de alguns intervalos para nós recuperarmos o fôlego. Caso você conheça os filmes antigos da franquia, sabe o que isso significa: um verdadeiro batalhão de veículos pós-apocalípticos numa corrida insana recheada de ação extremamente bem realizada. Max também está nessa perseguição, pois ainda está fazendo uma transfusão sanguínea involuntária com Nux (Nicholas Hoult), um garoto de guerra que parece estar com os dias contados.

Acredito que como a maioria das pessoas, eu não tinha muitas expectativas quanto à Mad Max Estrada da Fúria, mas felizmente tive a oportunidade de assistir esse filme no cinema e digo que com certeza foi uma das maiores experiências cinematográficas da minha vida. A direção, a fotografia, a edição, todo o trabalho por trás das cenas explosivas de ação. Tudo isso é realizado de modo brilhante. É uma obra que é um verdadeiro deleite aos olhos. Não só visualmente incrível, toda a movimentação da ação é muito bem feita. Isso quer dizer que o diretor George Miller faz cenas quase intermináveis de ação, com edições muitas vezes de menos de dois segundos, com explosões, carros sendo despedaçados, armas sendo disparadas, personagens em constante movimento (na verdade, um cenário inteiro em constante movimento), tudo isso sem que tudo não vire uma confusão caótica ou entediante à quem está assistindo.

Como se não bastasse todo o brilhantismo por trás da ação do filme, nós temos personagens marcantes, como Furiosa (Theron está incrível no papel), vilões muito bem caracterizados e até o próprio Immortan Joe. Sim, a premissa é simples. Uma fuga seguida de uma perseguição. Mas Mad Max é muito mais do que isso. É um mundo pós-apocalítico, onde a moral parece até uma piada, onde a alienação de um tirano pode transformá-lo em um deus, onde a loucura é algo comum no cotidiano. O cenário do filme é o deserto. E mais deserto. Ainda assim, como Miller já demostrou principalmente na fotografia do terceiro filme Mad Max, temos incríveis paisagens onde o dia é vermelho e a noite é azul. É impressionante como um filme com tão poucos diálogos consegue contar tanto sobre seus personagens e sobre seu mundo. Não é apenas uma história de sobrevivência, é sobre esperança, redenção e revolução.

Mad Max Estrada da Fúria está indicado ao Oscar 2016, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Design de Produção, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Efeito Visual, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som. Sim, o filme merece tudo isso (e talvez até mais, quem sabe uma indicação à Charlize Theron de Atriz Coadjuvante não poderia ter sido feita), mas é difícil imaginar que a Academia premie um blockbuster de ação tão incessante nas categorias principais. Ainda assim, apesar de O Regresso ser um filme incrível, estou na torcida para Mad Max: Fury Road.

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