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Crítica: “O Samurai” (Le Samourai), 1967

le samourai

—Nota: 3/5 — (Sem spoilers) —

O Samurai é um filme noir francês de 1967, dirigido por Jean-Pierre Melville. É a história de um solitário assassino de aluguel que enfrenta as consequências do seu último trabalho.

A história começa com Jeff Costello (Alain Delon) saindo de seu pequeno apartamento e indo buscar seu próximo contrato. Ele pacientemente rouba um carro testando cada chave em um molho de dezenas. Troca as placas. Pega o nome de sua próxima vítima. Chega ao clube. Tudo isso sem uma palavra ser dita no filme. Então Jeff cumpre seu contrato, mas assim que sai da sala em que assassinou o homem, se depara com a pianista do clube (Cathy Rosier), ainda assim vai embora como se nada houvesse acontecido. Quando o investigador chefe (François Pérrier) realiza uma busca por suspeitos e acaba levando o próprio Jeff para a delegacia, as coisas começam a degringolar. Apesar da pianista não apontá-lo como o assassino (o que ele não entende), o inspetor não deixa de investigá-lo por todo o resto da história (mesmo o meticuloso Jeff tendo um álibi pronto para a situação). Até seus contratantes decidem que Jeff virou um risco ao ser levado como suspeito.

 Ao meu ver, as maiores qualidades também são os maiores defeitos do filme. Silêncio e estilo. Durante as cenas mais interessantes, como o desenrolar do início da história e a fantástica cena em que Jeff está sendo seguido por dezenas de agentes nas ruas e no metrô de Paris, o silêncio e o ritmo contribuem para o filme. Mas em alguns outros momentos, vão contra a narrativa. Por exemplo, em uma cena dois policiais entram no apartamento de Jeff para plantar uma escuta. A cena parece se arrastar indefinitivamente, concluindo apenas em uma escuta plantada que rapidamente é encontrada por Jeff e acaba não influenciando a trama. Mas apesar de não contribuir para a história em si, contribui para o estilo. Le Samourai tem fortes características de um filme Noir: um protagonista com valores duvidosos, investigações e complôs contra o personagem principal, lindas mulheres que apresentam risco, etc. O cinema Noir por si só já exagera um pouco no estilo, ainda assim, sua atmosfera é extremamente envolvente e dominante, com uma ótima fotografia e trilha sonora.

A própria cena da perseguição que citei é uma amostra de como o estilo no filme se mostra mais importante do que a trama. Temos uma sequência ótima onde Jeff é perseguido por diversos agentes e faz de tudo para eles o perderem de vista. Cena que com certeza serviu de influência para o cinema em filmes como Operação França (The French Connection, 1971) e O Pagamento Final (Carlito’s Way, 1993). Mas apesar de icônica, nos perguntamos: se Jeff obviamente sabia que estava sendo seguido, qual era o objetivo da perseguição? Outro momento importante que faz com que nos perguntemos algo similar é o próprio início da história. Por que Jeff simplesmente ficou à plena vista para ser levado como suspeito em vez de se esconder? Principalmente sabendo que foi claramente visto por uma testemunha.

Esse parágrafo terá spoilers sobre a cena final. O desfecho pode parecer confuso à primeira vista, mas pode-se dizer que Jeff armou o plano para que seu próximo contrato (sendo a vítima a única que poderia ligá-lo ao crime do início da história) fosse desnecessário. Apesar de que momentos antes ele já tinha assassinado o contrante. Talvez por medo de haver mais pessoas envolvidas? Talvez.

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