Blog Cidade Máquina

Apreciando a sétima arte em palavras.

O Jardim das Palavras (Kotonoha no Niwa, 2013)

the garden of words


—Nota: 3/5 — (Sem spoilers) —

O Jardim Das Palavras é uma animação japonesa do diretor Makoto Shinkai. Foi o primeiro filme do diretor que assisti e uma coisa é verdade sobre a obra do Shinkai: visualmente incrível.

Eu diria que O Jardim Das Palavras cai num certo limbo entre curtas e longas metragens. O filme tem uma duração de 45 minutos. A animação conta a história de um garoto do ensino médio que adquire o costume de matar as primeiras aulas em dias chuvosos durante um verão no Japão. Nesses dias, ele costuma ir para um parque da cidade (um grande jardim) e praticar no seu caderno de desenho para sua ambição de vida: tornar-se um designer de calçados.

Em um desses dias nebulosos, o garoto conhece uma mulher mais velha que divide o banco do parque com ele. Ela parece não fazer nada fora comer barras de chocolate e tomar cerveja. Com o passar do tempo, eles vão se aproximando, mesmo parecendo que ele não sabe nada sobre ela enquanto o estudante revela sua vida e ambições.

Como comentei no início, o grande feito do diretor Makoto Shinkai é o visual. O filme encanta com suas paisagens urbanas e naturais, com chuva ou com o sol dividindo o céu com as nuvens. O Jardim das Palavras consegue combinar a animação 2D com o uso de CGI como poucas conseguem, e o resultado é fantástico. A grande questão é que o filme sofre daquilo conhecido como forma sobre substância (ou style over substance). Não importa do que você chama, apenas indica que o filme se preocupa mais com seu visual do que com sua história/conteúdo. Muitos diretores são apontados por essa característica, como Zack Snyder, Nicolas Winding Refn e Tim Burton. Enquanto nos maravilhamos com a beleza e os detalhes dos cenários, notamos que seus personagens são quase superficiais e as tentativas de se aprofundas em suas personalidades não funcionam. Até detalhes da vida do garoto, que normalmente adicionariam à história, parecem não desenvolver o personagem (como sua relação com seu irmão mais velho e sua mãe, que não passam de figurantes no final da conta). É claro que isso tudo pode ser causado pela curta duração do filme, mas ainda assim não dá para ser ignorado.

Resumindo, tirando a beleza visual da animação, sobra uma história melodramática. O diretor Sidney Lumet dizia que “Em um drama, os personagens movem a história. Em um melodrama, a história move os personagens”. Ou seja, em um melodrama os personagens são moldados com o objetivo de contar a história e não o contrário. O que resulta em personagens unidimensionais, apelos emocionais e, para mim, o pior, cenas dramáticas não convincentes. Até mesmo no final do filme, quando acreditei que a história ia se redimir do seu patamar melodramático (mais uma vez, uma cena visualmente incrível que se passa nas escadarias de um prédio em meio à chuva que tanto persistiu durante a história), os personagens pareciam que iam finalmente desenvolver um diálogo verdadeiro, mas acaba em uma cena melodramática que parece ter sido tirada de uma novela mexicana.

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Publicado às 03/09/2016 por em Animação, Cinema, Críticas, Drama e marcado , , , , , .
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