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Apreciando a sétima arte em palavras.

Dois Caras Legais (The Nice Guys, 2016)

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—Nota: 4/5 — (Sem spoilers) —

Não posso dizer que sou fã do trabalho do diretor e roteirista Shane Black, mas em The Nice Guys acredito que ele tem seu melhor trabalho até agora.

Assim como o clássico The Big Lebowski dos irmãos Coen ou o mais recente Vício Inerente de Paul Thomas Anderson, The Nice Guys funciona como uma sátira aos filmes do gênero policial ou noir. Nós temos investigações, pistas, contratantes, mistérios, conspirações, plot twists e até protagonistas de caráter duvidoso. Sim, e qual a história aqui? Tentando revelar o mínimo possível, pode-se dizer que a história gira em torno de uma garota, personagem da atriz Margaret Qualley, que causa um conflito (quase que de forma acidental) entre os dois protagonistas logo no início do filme. Essa garota parece ser a chave de alguma trama maior e cada vez mais complexa (tudo bem nem tão complexa, mas a ideia é essa). Na minha opinião, a história é a parte menos importante em The Nice Guys. Não que ela seja ruim, mas está longe de ser original. Já o roteiro é bem sólido e promove um ótimo ritmo ao filme, apesar de em um momento ou outro, quando nossos protagonistas ficam sem rumo,  alguma nova pista surge, rapidamente (e miraculosamente), e faz com que a história siga em frente. Esses foram os principais momentos que me incomodaram em The Nice Guys.

Então, a história não é lá essas coisas e o roteiro é bom. Mas o que faz The Nice Guys funcionar tão bem? O principal fator com certeza se resume nos seu elenco principal: Ryan Gosling (um investigador particular alcoólatra, conformista e um tanto desonesto) e Russel Crowe (um cara durão que “é pago para meter porrada em quem merece” mas que possui intenções bem melhores do que seu colega). E não pode-se deixar de lado o trabalho da atriz Angourie Rice (quem se chama arroz, pelo amor de deus?) que faz a filha do nosso querido alcoólatra. A química entre os três é fantástica e se você achar que nada mais funciona no filme, só isso já faz The Nice Guys valer à pena ser visitado.

Quanto aos aspectos cômicos e de ação do filme, são alcançados de forma honesta (na maioria dos casos). Há alguns momentos que, pessoalmente, achei hilários. Às vezes, uma fala que quase passa despercebida, ou uma boa e velha cena de comédia visual, arte quase perdida nos dais de hoje. E vários outros momentos são divertidos (e ainda outros não tão, mas é a vida, certo?). As sequências de ação também não deixam à desejar, principalmente durante a visita da nossa dupla à festa no clube da indústria pornográfica e na cena final durante o festival de automóveis. Se tem uma coisa que Shane Black sabe fazer bem, são cenas de ação com a medida certa de violência.

É uma pena que The Nice Guys tenha faturado tão pouco na bilheteria (57 milhões contra um orçamento de 50 milhões, uma triste história parecida com a de Steve Jobs, de Danny Boyle, em 2015), mesmo recebendo grande maioria de críticas positivas. The Nice Guys é leve e divertido, mas não pense que é apenas mais uma comédia americana. O filme é bem mais do que isso.

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